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Carcereiros da arte

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  1. Joel Domingos

    Para serem coerentes ao modificarem esse conto de fadas para o politicamente correto, terão que modificar o título da estória também: não mais Branca de Neve, pois até a atriz que representa esse personagem não é branca, muito menos de neve. E olhe que não sou nem um pouquinho suspeito para falar isso, pois sou pardo. Também já me identifiquei como negro. Na época, não existiam esses preciosismos e sutilezas como negro e preto. Esvaziada a agenda marxista, estão procurando o que fazer.

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  2. Chiara Gonçalves

    Pobrezinha! Presa na torre de seus princípios tradicionalistas e sufocada pelos questionamentos à velha moral, não consegue mais fantasiar em paz com o príncipe encantado!

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    1. Chiara Gonçalves

      Passei do ponto, Bena, quebrei a autopromessa de não comentar na tpm. Vou me inspirar mais em você pra bater com luva de pelica. Se eu possuísse o vernáculo do comentarista abaixo...

    2. Marcos Benassi

      N√£o seja cruel e zombeteira, Chiara! √Č quest√£o de op√ß√£o: deixasse crescer os cabelos, era s√≥ jogar as tran√ßas. A Rapunzel, conservante, mas esperta, j√° resolveu isso numa estorieta velh√≠ssima, uai. Bom, sei l√° qual √© a vers√£o atual: RapunMares, 'tadinha, pode ter vendido os cabelos e usado o dinheiro pra compor seu dote. Achou o pr√≠ncipe Nigeriano do conto do vig√°rio, casou e foi pra √Āfrica. A est√≥ria n√£o contempla as vicissitudes da mo√ßa na Nig√©ria, acaba antes, por pundonor. Hahahahah!

  3. Felipe Vasconcelos

    Perfeito! Hoje em dia tudo √© lido sob a √≥tica de "progressistas X conservadores", seja Homero, os her√≥is da Marvel ou os mitos de cria√ß√£o de uma etnia na Costa do Marfim. Isso √© o que se chama de superinterpreta√ß√£o (criando uma s√©rie de associa√ß√Ķes esdr√ļxulas).

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  4. SUSANNE WALKER

    Nasci em fins dos anos 60 e minha imaginação também foi construída pela audição e leitura dos contos de fada. Aprendi com eles que deveria procurar um príncipe e, quando o achasse, minha função seria fazê-lo feliz. Um discurso reforçado pelo status quo. Jamais quis ter sido "formada" por histórias que me ensinaram o seguinte: meu próprio desejo deveria ser pautado pelo desejo do Outro que busquei. Antes tivesse nascido em outra cultura e com outras histórias.

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    1. Marcos Benassi

      Provavelmente bastaria ter nascido em outro tempo, Prezada Suzanne. Agora, j√° seria bem mais simples e menos dolorido.

  5. Alberto Melis Bianconi

    Um tanto antigo já: Quem sabe o príncipe virou um chato Que vive dando no meu saco Quem sabe a vida é não sonhar Cazuza

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  6. Renato Scherer

    Acontece que essas histórias já foram, há décadas, contextualizadas (suavizadas e romantizadas) para virarem "contos de fadas", visto que as originais eram por demais violentas. Se quer fidelidade ao original, tem que chamar o Lars Von Trier ou o Ari Aster e fazer um filme de sodomia ou terror.

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    1. Marcos Benassi

      Hahahahah, Renato, ontem minha sobrinha comentou que precisava assistir um pouco de Tom e Jerry antes de dormir: o Lars von Trier havia deixado tal marca no dia que causaria pesadelos... Hahahah!

  7. El√°dio Gomes

    A articulista deve ser amiga da esposa do cantor Sorocaba...

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  8. Jaqueline Mendes de Oliveira

    Quanto esforço de retórica para defender as suas crenças, cara colunista. Não se trata de politização da Branca de Neve, mas de contextualização.

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  9. Marcos Benassi

    Engra√ßado: t√ī com pregui√ßa de reler, mas havia entendido que o "escapismo" tinha mais relevo do que a reescrita. Parece que n√≥s acabamos desviando nosso olhar do essencial... Enfim, posso perfeitamente estar viajando.

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  10. Raimundo Carvalho

    A colunista omite, talvez porque não sabe, que os contos de fadas eram, na origem, estórias bem cruéis que refletiam a difícil vida dos camponeses da era pré-capitalista e , portanto, dialogavam com a realidade dos ouvintes. Essas mesmas estórias, depois, ganharam final feliz e passaram a compor o imaginário de uma burguesia em ascensão. Não existe escapatória para a fantasia. Ela sempre será objeto de prisão ideológica, se a consciência histórica não se refletir nela.

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    1. Celso Augusto Coccaro Filho

      Muito bem. √Č isso mesmo. N√£o captei sua cr√≠tica a respeito da adapta√ß√£o atual - ¬ďprogressista¬Ē - mas na minha opini√£o √© ainda pior que a suave vers√£o de Disney, explicitamente dirigida a crian√ßas e sem contamina√ß√£o pol√≠tica, pelo menos n√£o aparentemente, ou pol√≠tica pela neutralidade. Eu pelo menos tenho ojeriza ao discurso woke, que me parece impositivo e artificial.

    2. Marcos Benassi

      Ahhhh... Acertou no fur√ļnculo, caro Raimundo: mesmo com edulcora√ß√Ķes "burguesas", Perrault, por exemplo, escorre sangue - tipo por debaixo da porta do Barba Azul. Eu era crian√ßa e ficava angustiado de l√™-lo, assim como os irm√£os Grimm, Andersen e outros. Tinha inocente nessa hist√≥ria n√£o. E as vers√Ķes mais primitivas - acho que foi a da vov√≥ e do lobo, como era? "Chapeuzinho", n√©? - li uma vers√£o ero-sanguin√°ria, coisa de arrepiar. Isso, depois de v√©io, Benza'Zeus.

  11. José Tarcísio Aguilar

    Al√©m de ser uma educa√ß√£o acerca dos aspectos mais internos e inconscientes, a fantasia pode ser uma viagem para as realidades diversas de mundos distantes. Existe uma riqu√≠ssima diversidade de contos e lendas de povos nativos de todas partes do mundo, no oriente m√©dio e distante, √Āfrica, Am√©rica do Sul, Groel√Ęndia, Canad√°, Brasil,...

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  12. José Tarcísio Aguilar

    Bem legal a lembran√ßa ao Tolkien. Todos temos nossos mundos objetivos externos, e igualmente nossos mundos internos. Da√≠ que a palavra 'escapismo' leva a interpreta√ß√Ķes injustas, pois seria negar um desses dois. Entrar em contato com a fantasia √© educativo e amadurece esse tr√Ęnsito, d√° habilidades pra lidar at√© com o pr√≥prio medo.

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  13. Nasemar Hipólito

    E o filme da Barbie, por mais surpreendente e instigante que seja, se prestou √† mesma milit√Ęncia revisionista!

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  14. Joel Domingos

    Os contos de fada, em geral, s√£o est√≥rias de tradi√ß√£o folcl√≥rica repassadas oralmente. Em geral, apresentam valores da vida humana, como o poder, a ambi√ß√£o, a bondade, a maldade, a vida, a morte, a coragem, a intelig√™ncia, a persist√™ncia... Como anteviu o cineasta Peter Jackson, "Voc√™ n√£o pode escrever olhando para manchetes de jornais, (...)," diz ele. "Mas atitudes humanas s√£o atemporais, ent√£o focamos a gan√Ęncia, o hero√≠smo e o poder pol√≠tico que parecem imut√°veis ao longo da hist√≥ria."

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  15. José Cardoso

    O fundo moral sempre existiu nas histórias de fadas, ao lado do encantamento escapista. O que muda com o tempo é a própria moral, como por exemplo o papel social da mulher.

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  16. armando moura

    as meninas nao veem estórias de anita garibaldi, joana angélica, maria quitéria, joana dárc, ainda crescem num mundo machista, onde serão resgastadas por um principe lindo, que viram sapos, na hora que veem um par de quadris subindo e descendo indo de lá para cá, ninguem conta esta parte para elas, nem as mães que já passaram por este dissabor, mas continuam acreditando e sonhando com a solução principe lindo.

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  17. ADONAY ANTHONY EVANS

    Sou contra que se dertupem clássicos. Se houver talento que se criem histórias novas. Se o clássico está socialmente ultrapassado, que caia no arcaísmo, para os que não o toleram. Pegar carona na criação dos outros, é moleza.

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    1. Marcos Benassi

      Eita, car√≠ssimo, t√° cheio de talento - chatice, ent√£o, tem uma vintena de vezes mais. √Č o que c√™ falou, larga m√£o de deturpar o cl√°ssico; se ainda prestar, discute; caso n√£o, ostraciza. Encher o saco e dourar a p√≠lula, √†s vezes transformando pimenta em cicuta ado√ßada, d√° n√£o.

  18. Jo√£o Gabriel de Oliveira Fernandes

    Nem acho que h√° problema em mudar aspectos de fantasias cl√°ssicas. Se forem mudan√ßas interessantes, criativas, o p√ļblico aceitar√° muito bem. O que acontece, principalmente nesses filmes live action da Disney, √© que inserem uma causa pol√≠tica e esperam que ela seja suficiente para agradar o p√ļblico, esquecendo o resto (bom roteiro, boa trilha sonora, dire√ß√£o criativa etc.).

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    1. Celso Augusto Coccaro Filho

      S√£o dirigidas √† doente, decadente, ignorante, dopada e psic√≥tica sociedade estado-unidense. Para quem n√£o √© adepto daquele tipo de forma√ß√£o cultural estas adapta√ß√Ķes s√£o rid√≠culas e mal disfar√ßavam uma tentava de criar algum pacto social superficial e mercadol√≥gico, como de h√°bito. Hollywood j√° foi melhor.

    2. Marcos Benassi

      Proibido, não é: o autor nem tá vivo pra reclamar do que fizeram com sua obra. Mas não é mais *aquela estória*, é outra, e assim devia ser tratada. Quando o autor tá vivo e quer revisar, vá lá, é a voz do dono. Se não, não boto uma fé, João

  19. Marcos Benassi

    Bem, Lygia, o Tolkien é um autor que nunca poderá ser tratado com superficialidade, até recortes devem ser dignos - não digo que não tenha sido, hein? - de sua complexidade e gênio. Isso posto, só aceito tal crítica como valida na medida em que houver idêntica ao uso de alteradores de consciência: fartamente tratados como "escapismo" ou falha moral, tais críticas ignoram a complexidade da exploração pessoal, tratando tudo como heroína alienante. *Não é*. E, se for, cabe julgar o aprisionado?

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  20. Ediney Fortes do Prado

    Tem sentido. Claro q gosto de hist√≥rias onde minorias participam, negros e asi√°ticos, pessoas com diversas condi√ß√Ķes f√≠sicas, religiosas e sexuais precisam se ver nas telas, mas n√£o necessariamente em contos cl√°ssicos. Mas tamb√©m n√£o condeno reler o cl√°ssico. H√° espa√ßo pra tudo.

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    1. Marcos Benassi

      Maiom√™no, caro Ediney, me d√™ licen√ßa pra marcar posi√ß√£o, por favor - n√£o √© tabefe, bem entendido. Vamos escrever novos, e refletir sobre os velhos. Orra, j√° houve celeuma com o Lobato e sei l√° mais quem... Escrevamos novas est√≥rias e discutamos as quest√Ķes que, nas velhas, encontram-se "datadas". Daqui a pouco, mudar√£o letras de can√ß√Ķes cl√°ssicas, n√£o √©? Magn√≠fico Mario Lago, o que far√£o com tua Am√©lia?

  21. ALVARO JUSTA DE CASTILHO

    Entendo o √≥dio dos conservadores, e mais ainda dos reacion√°rios, mas a hist√≥ria em quest√£o caiu em dom√≠nio p√ļblico, como a pr√≥pria hist√≥ria veiculada pela Disney, e apenas levemente inspirada no original. Essa hist√≥ria de que inventem outras hist√≥rias e outros personagens s√≥ demonstra o quanto conservadores s√£o pessoas assustadas e carentes de uma ordem que n√£o existe internamente. Tudo ser√° visto, revisto e adaptado o tempo todo porque assim √© a vida, e assim exige o mundo.

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  22. Daniel Bertelli

    Torna-se cada vez mais pedante em artigos enviesados de proto rebeldia galvanizados por estandartes bobos, com pseudo meton√≠mias advent√≠cias. Solipsismo para infantes. Cansativo. Nubla seu potencial com pr√© concep√ß√Ķes anacr√īnicas edulcoradas de algum tipo de vigor primaveril que gera sonol√™ncia e ass√≠dia.

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    1. Marcos Benassi

      Eita s√ī, se bem entendi, concordo. Sinto-me um comentador facinho e simples, agrade√ßo.

  23. MATILVANI MOREIRA

    Excelente o artigo! Eu e minha neta brincamos muito de príncipe e princesa. Ela e eu adoramos. Quem manda na brincadeira é a princesa!

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  24. Joel Domingos

    ¬ďEstamos presos na cela pol√≠tica.¬Ē Vou usar agora um clich√™ das redes sociais: a frase acima falou tudo.

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  25. Maria L√ļcia Rodrigues Muller

    Adorei o artigo!

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  26. LUIZ FERNANDO SCHMIDT

    Acho a "existência" de príncipe e princesa ridícula. Mas em "Branca de Neve" existe. Se não concordam, não queiram modificar "Branca de Neve". Inventem outra história.

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    1. Marcos Benassi

      N√£o posso concordar mais do que concordo. Se pudesse dar uns pulinhos pra enfatizar, eu pulava.