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  1. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

    A minha experiência foi com pais tóxicos (passivo-agressivos) que por meio de ironias, palavras dúbias e culpabilizações tentam fazer com que você acredite que seus sentimentos não são válidos nem têm importância. Daí o valor de você confiar nas suas emoções e que elas dão informações importantes sobre seu mundo interior — não se culpe nem acredite que você é a causa raiz das (re)ações tóxicas deles.

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    1. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

      Todos viemos de uma família e nela lidamos com coisas boas e ruins. Conversando com tios e primos descobri que meus pais vieram de ambientes tóxicos e neles acabaram absorvendo muitos venenos e assim acabaram passando para os seus descendentes toda essa carga tóxica. Como nunca quis ter filhos e a minha companheira não pode tê-los, acabei lidando com uma carga menor de toxicidade.

    2. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

      Acredite em mim, você pode lidar com os venenos dos seus pais e criar espaço mental para se concentrar no seu próprio bem-estar. No início, pode parecer difícil não retaliar, nem reagir de maneira tóxica como seus pais costumam fazer. Não deixe que eles roubem a sua paz interior, nem absorva a confusão interior deles. Também não se sinta obrigado(a) a "consertar" a situação. Agindo assim você vai se proteger dos efeitos nocivos dos comportamentos tóxicos deles.

    3. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

      É natural que você sinta raiva, culpa ou inadequação ao lidar com um pai/mãe tóxico(a), mas não deixar que isso crie raízes no seu coração demanda doses de presença mental, equanimidade e autocompaixão. No seu ritmo, concentre-se em encontrar a distância adequada das emoções causadas pelos comportamentos tóxicos dos seus pais. Faça isso com gentileza, até reencontrar aquele espaço (paz) onde só há você e a sua respiração.

  2. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

    Pais podem ser tóxicos? Sim. E costumam ser aqueles cujos comportamentos causam danos emocionais, mentais ou físicos aos filhos de forma consistente, muitas vezes devido ao egocentrismo, ânsia por controle ou instabilidade emocional. Quando são manipuladores, críticos, emocionalmente instáveis ou até mesmo agressivos, suas ações podem ter impactos negativos duradouros no bem-estar e na saúde mental dos filhos.

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    1. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

      Relacionar-se com uma pessoa que tem traços tóxicos pode ter efeitos prejudiciais ao seu bem-estar, mesmo que seja um dos seus pais. Isso é especialmente verdadeiro se essa pessoa estiver presente em sua vida há anos. A manipulação, o julgamento e o isolamento que você pode estar vivenciando por causa dessa pessoa tóxica pode resultar em: falta de autoestima; relacionamentos difíceis com outras pessoas; perda do prazer em coisas que você antes amava; desenvolvimento de problemas de saúde mental.

    2. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

      Tentar mudar pessoas que são regularmente tóxicas pode deixá-lo frustrado e sobrecarregado. Em vez disso, tente se concentrar no que você pode controlar, como a forma que você reage as (re)ações tóxicas dos seus pais, suas escolhas e seu comportamento.

    3. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

      Lidar com pais tóxicos pode ser estressante. Esse estresse pode afetar sua saúde física e mental. Então, quando as coisas começarem a piorar, interprete isso como um sinal para sair fora. Permanecer onde está só pode agravar a situação e causar até mesmo problemas de saúde física e mental.

  3. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

    Pais que são abertamente agressivos podem ser difíceis de evitar, mas não deixam de ser notados. Já aqueles que são passivo-agressivos, por outro lado, usam táticas muito mais sutis para agredir que podem ser tão insidiosas e dolorosas quanto a forma ostensiva. São pais que "mordem e assopram" e que adotam uma postura dúbia. Em geral, se utilizam de deboches, indiretas, palavras dúbias, ironias ou indiferenças para disfarçar sua agressividade.

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    1. Mirian Goldenberg

      Violência verbal e psicológica que também causa traumas

    2. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

      Embora possa parecer uma maneira de evitar conflitos diretos, o comportamento passivo-agressivo geralmente cria mais desentendimentos e dificulta a comunicação aberta e honesta e a resolução de problemas. Além disso, pode levar a mal-entendidos frequentes, ressentimentos e desconfianças. Na verdade, aqueles que usam tal postura criam um problema bem específico, pois muitas vezes os filhos não conseguem identificar o que desencadeou essa reação nos pais.

  4. Eliaquim Almeida

    Parabéns Mirian, você é um vencedora. Admiro sua luta e sua história, grande professora e escritora. Um abraço.

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    1. Mirian Goldenberg

      Fico muito muito feliz

  5. márcia corrêa

    Importante tema da sua coluna, Mirian, e também muito atual! É gritante como os reflexos dessa violência em casa tem-se feito sentir nas escolas. Lamentei que vc não fizesse uma abordagem mais geral dos impactos psicológicos e sociais disso, dados seus estudos e experiências clínicas. Seria de grande valor e utilidade compartilhá-las e refleti-las conosco para além da sua vivência pessoal.

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    1. Mirian Goldenberg

      Márcia, não tenho experiência clínica. Sou professora e antropóloga

  6. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

    De geração em geração estamos perpetuando a cultura da violência, do sofrimento e do medo. Raramente encontraremos uma sociedade onde as diferentes "sementes" da violência, do sofrimento e do medo não sejam regadas pelas interações sociais e pelos meios de comunicação - livros, jornais, revistas, estações de rádio, filmes, computadores, celulares e a Internet. Aliás, no mundo, é bem raro encontrarmos alguém que não consuma esses "frutos" venenosos todos os dias.

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    1. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

      Para lidar com a violência, temos de ouvir o sofrimento dos outros, bem como nosso próprio sofrimento. Mas, neste mundo da exaustão e da pressa, bem poucos de nós têm tempo para a escuta e compreensão compassivas. No entanto, se formos capazes de fazer isso, além de notarmos que muitos setores da sociedade perpetuam a cultura da violência e tiram proveito dela, também vamos aprender a nos proteger dela.

    2. Mirian Goldenberg

      Verdade

  7. Ronaldo Luis Gonçalves

    A violência vêm de berço. Pais despreparados, doentes e drogados cuidam de milhões de crianças pelo mundo. A dor é temporária, mas o dano é permanente.

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  8. Ricardo Thomazine

    Estudante neófito da psicanálise, penso que deveria haver nas escolas, em reuniões de pais, palestras e conversas sobre esse assunto. Muitos pais não sabem o mal que fazem aos seus filhos, no ambiente de suas casas, com esses xingamentos e agressões fisicas e verbais; que trarão reflexos para o resto de suas vidas.

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  9. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

    Quanto mais os pais maltratam emocional e psicologicamente seus filhos, maior a probabilidade deles serem submetidos a castigos físicos. Palmadas não melhoram o comportamento, levam à agressão e a outros problemas comportamentais, como roubar e mentir, e aumentam a probabilidade de as crianças desenvolverem problemas de saúde mental, que vão desde depressão e ansiedade, até alcoolismo e uso de drogas, podendo levar ainda a problemas de aprendizagem na escola.

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    1. Mirian Goldenberg

      Destruição de vidas com traumas incuráveis

    2. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

      Frases como "apanhei, mas não morri" ou "isso me fez mais forte" são comuns e refletem a racionalização de uma prática que deixa traumas. No entanto, a Ciência é clara: castigos físicos não ensinam limites, apenas geram medo, prejudicam o desenvolvimento emocional e perpetuam um modelo de relação baseado no poder e na agressão. Toda pessoa valoriza o respeito, o diálogo e a preservação da sua integridade física e mental, mas não pensa assim o ao lidar com os filhos.

    3. Mirian Goldenberg

      Violência mora nas nossas casas

    4. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

      Muitos pais batem para interromper imediatamente certos comportamentos dos filhos, mas estes podem aprender a associar violência a poder ou à obtenção do que querem. De fato, grande parte do comportamento agressivo atribuído a crianças que foram agredidas pelos pais tende a corresponder, de forma diferente, a interações em que a violência é usada para exercer poder sobre outra pessoa — bullying, abuso de parceiros, e assim por diante.

  10. ANIBAL CARRION

    Mirian que coragem e exemplo de textualizar o que já sabemos. A infância que deveria ser de alegrias vem sendo roubada há muito tempo com adultos sem noção e que impactam a saúde mental de muitos. Você é uma vencedora. Parabéns!

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    1. Mirian Goldenberg

      Anibal, é uma realidade muito cruel e traumática

  11. Luciano Napoleão de Souza

    Agressão ou corretivo? Há que se tomar cuidado com a narrativa da esquerda veiculada pela velha imprensa. Uma vez que tirar a autoridade dos pais sobre os filhos é método comunista de tomada do poder.

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  12. Gisele Carnaval

    Foi um artigo com depoimento, foi forte e foi gigante!!!

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    1. Mirian Goldenberg

      Que lindo Gisele

  13. DIRCE MARIA DE JESUS BARBOSA

    Toda família é violenta. Só muda de endereço. Para além da experiência pessoal gostaria de registrar que é preciso aprender em todos os espaços da vida humana que a violência física e emocional dos pais contra os filhos não é legítima, não é ética, não é moralmente aceitável, não é inofensiva, é ilegal e deixa marcas físicas e emocionais por toda a vida. O espaço da vida privada ainda permanece um buraco negro que autoriza as piores perversidades.

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    1. Mirian Goldenberg

      Infelizmente Dirce, é invisível

  14. Nasemar Hipólito

    Parabéns e obrigado, Mirian! Não vejo uma Mônica 60+ melhor que vc!

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    1. Mirian Goldenberg

      Que lindo. Fico muito feliz

  15. Jordana Munis

    Que força! E, ao mesmo tempo, que delicadeza. Obrigada por esse texto.

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    1. Mirian Goldenberg

      Fico feliz Jordana

  16. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

    Desde 2014 vigora a Lei da Palmada, que proíbe o emprego de qualquer espécie de castigo físico em crianças, embora não estipule penas. No entanto, a cultura do castigo físico na criação dos filhos ainda permanece muito arraigada no Brasil, deixando marcas por toda vida como mostram diferentes pesquisas em Neurociência. Isso se dá porque os pais acreditam que tapas, beliscões, empurrões e surras sejam justificados com "boas" intenções, assim como as suas mentiras cotidianas.

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    1. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

      Atualmente, mais de 50 nações barram a aplicação de “corretivos” nos filhos por meio de alguma legislação. Estudos mostram que quando a medida é abraçada de maneira radical, os resultados são palpáveis e perenes. Sociedades onde o castigo corporal foi inteiramente varrido do mapa, tanto em casa quanto na escola, registrou-se um declínio nas brigas físicas entre jovens que independe de gênero.

    2. JOSE EDUARDO MARINHO CARDOSO

      Não surpreende o Brasil figurar entre os países mais violentos, segundo um relatório das Nações Unidas de 2021. Em termos globais, a taxa de mortes violentas no país é quase 4 vezes maior do que a taxa mundial de homicídios, encabeçando o ranking de países com mais homicídios em números absolutos.

  17. Paolo Valerio Caporuscio

    Não tem controle emocional para constituir familia, então não tenham filhos.

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  18. Claudio Messias

    Mirian, querida, tão assustador quanto essa estatística é sabermos que as informações, em dados, representam casos que de alguma forma foram conhecidos fora de casa. O machismo e o patriarcalismo estruturais fazem, como ocorreu contigo e, pasmem, comigo, na infância, violência assim ficar na caixa de segredos familiares. Ferem a "boa reputação" de um pai, de uma tradicional família brasileira, ignorando que a ferida maior, adiante, virá em nós em forma de gatilhos. Acionados como agora.

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    1. Mirian Goldenberg

      Infelizmente, Claudio