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  1. antonio brito

    Cumprimentos à dona Mirtes. Valoriza o estudo e supera a dor da perda do filho. Infelizmente não tinha escola para seu filho, como hoje não tem creches. A força e o caráter dessa senhora não depende da cor da pele. Fazer da tragédia uma crítica aos de cor diferente, a patroa não vigiou o menino não por ser branca, é puro oportunismo e um modo de chamar atenção.

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  2. Ivo Broeing

    O sofrimento foi capturado por um discurso externo, sem espaço real para a elaboração subjetiva, não houve ressignificação alguma. O que houve foi luto politizado, trauma instrumentalizado, dor convertida em ferramenta de discurso. Uma tragédia que virou bandeira, não travessia.

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    1. Ivo Broeing

      A justiça não precisa de mártires eternos, precisa de instituições que funcionem. E a beleza real, se existe, está na ressignificação silenciosa, não na exibição performática da dor como capital moral. Como disse Lacan: (o real do trauma não se cura com discurso, mas tampouco se presta a palco.)

    2. Ivo Broeing

      Sim, ela luta, mas não se trata de (assenhorar-se da própria história), e sim de capturar a narrativa coletiva com uma única versão possível. É aí que começa a patologia política: quando o luto deixa de ser travessia e passa a ser estandarte.

    3. Ivo Broeing

      Marcos, respeito sua comoção, mas cuidado com a armadilha simbólica: transformar dor em plataforma de poder costuma parecer nobre no início, até que se torna regra. E quando o sofrimento vira o principal critério de autoridade no debate público, entramos num território perigoso onde a emoção substitui o argumento, e o trauma vira alavanca para silenciar divergência.

    4. Marcos Benassi

      Agradeço pela resposta sucinta, prezado. Olha, se o que essa senhora fez não for "assenhorar-se de sua história", não sei o que seja isso. Ela não está estática, luta com suas forças todas pela *responsabilização* de quem não cuidava nem do cachorro, quanto mais de uma criança. Enfim, não adianta falar belamente: a única coisa bela nessa história é o modo como essa senhora combate a injustiça que lhe sobreveio.

    5. Ivo Broeing

      É um apelo à dignidade psíquica, que começa quando o sujeito deixa de ser vitrine da tragédia e passa a ser autor da própria história.

    6. Ivo Broeing

      Marcos, justamente por respeito ao sofrimento alheio é que não se deve instrumentalizá-lo. Freud não negava o trauma, mas também não o canonizava como identidade. A elaboração implica atravessar o luto, não fixar-se nele como lugar de fala perpétuo. Transformar dor em bandeira política é impedir que o sujeito saia da posição de objeto do discurso do outro. Isso não é desprezo.

    7. Marcos Benassi

      Nooofa, nem Freud "interpretaria" melhor. Aliás, ele não o Faria, de modo algum: interpretações sem profundo contato com a realidade psíquica do outro, era francamente abominado. A carga de desprezo e desconsideração pelo sofrimento alheio e as possibilidades de significado (pessoal e coletivo) disso, espanta.

  3. Marcos Benassi

    Ai, Ana, coisa horrível sermos lembrados dessa desgraça, mas entendo: não há jeito de se mudar se não for esfregado recorrentemente na nossa fuça. Que coisa linda a coragem da dona Mirtes em continuar a viver e dar um propósito ao seu percurso, abalado por tamanha perda, em contexto vil. Eu tenho horror a "histórias de superação", normalmente pasteurizadas, mas dessa vez tenho de dar razão ao Chico: Miremo-nos no exemplo desta Mulher Negra de Recife. Que possa avançar lutando.

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    1. Ivo Broeing

      Ressignificar é inscrever o trauma no simbólico — e não repeti-lo no imaginário. É transformar a dor em passagem, não em monumento. O que foi feito, no entanto, foi o contrário: uma repetição melancólica disfarçada de resistência. Uma vitimização sofisticada, adornada de diplomas e TCCs, que disfarça o fato de que a estrutura continua a mesma, e o sujeito, preso no mesmo lugar.

    2. Ivo Broeing

      Ressignificar, de fato, seria outra coisa. Seria ela poder lembrar do filho sem ser convocada, o tempo todo, a representar uma dor racializada diante das câmeras. Seria poder atuar como advogada, educadora, cidadã, sem que sua identidade pública estivesse eternamente colada à tragédia. Seria poder dizer:eu perdi meu filho, e sigo vivendo, não apenas como vítima, mas como autora do meu próprio destino.

    3. Ivo Broeing

      A dor da mãe de Miguel foi capturada por um discurso que a eterniza como símbolo da vítima ideal, e não como sujeito em transformação. Ela passou a ocupar o lugar de ícone de uma luta coletiva que precisa manter a ferida aberta, porque é dessa ferida que certos discursos tiram sua legitimidade.

  4. PAULO CURY

    Parabéns, espero que o exemplo sirva aos outros sem necessidade de perder um filho para ver que existe outra vida e que o sucesso depende de esforço quando vc nasce sem privilégios .

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  5. Emanuel Mello

    Leia como se fosse a professora do Chris tivesse escrito isso

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    1. Marcos Benassi

      Não esclareceu, mas agradeço a tentativa.

    2. Emanuel Mello

      Senhorita morello, todo mundo odeia o Chris

    3. Marcos Benassi

      Emanuel, prezado, não entendi a referência; se puder fazer a gentileza de esclarecer, agradeço.