Marcelo Viana > Matemáticos em Roma Voltar
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A última frase desse belÃssimo texto foi lapidar.
Primeira vez que vou criticar algo escrito na coluna. " em quase um milênio, o império mais notável que o mundo já viu" muito questionável isto, Prof. Viana.
O curioso é que os árabes obtiveram o conhecimento matemático dos gregos pelos médicos gregos que atendiam os califas em Bagdad. O estudo da medicina era confinado principalmente aos gregos e judeus, e a ciência médica grega baseada em Hippocrates, Aristóteles e Galeno. Traduções de Euclides e Archimedes chegaram a Diofanto. O elemento religioso filtrou essas traduções.
Rovelli diz que depois da derrocada da ciência antiga na Itália, poucos compreendiam Ptolomeu ou os Elementos de Euclides. Mil anos depois, Poggio Fiorentino descobriu o manuscrito de Lucrécio. O jovem polonês Copernicus foi estudar em Bolonha e depois Pádua.
Tivemos, na Itália, a brutal repressão antipagã que se seguiu aos éditos do imperador Teodósio , que declararam o cristianismo religião única e obrigatória do império. Platão e Aristóteles, pagãos que acreditavam na imortalidade da alma, podiam ser tolerados por um cristianismo triunfante . Demócrito não. A matemática teve enormes perdas.
O fÃsico italiano Carlo Rovelli disse que a perda da obra de Demócrito foi a maior perda intelectual; restou a obra de Aristóteles com base na qual se reconstruiu o pensamento ocidental. Tivemos séculos de pensamento único dominante monoteÃsta; quase nada do naturalismo racionalista e materialista de Demócrito. O fechamento das escolas de pensamento antigas e a destruição de todos os textos que não tivessem de acordo com o pensamento cristão foram amplos e sistemáticos.
Já li uma tese de que a forma da cidade estado grega auto suficiente, com as decisões públicas tomadas diretamente pelos cidadãos em assembleias, está ligada à noção de demonstração lógica, essencial ao pensamento matemático. Para isso a cidade não pode ser grande demais, quando se divide entre uma elite governante e o resto do povo. Nesse caso a arte valiosa passa a ser como convencer o chefe, e não como provar estar certo de uma forma mais universal
Do ano quinhentos ao setecentos, na Itália; os únicos lugares de estudo eram os mosteiros beneditinos, onde os monges renunciavam ao mundo; não tinham motivos para estudar a ciência, só os serviços da igreja e seus mosteiros (arquitetura); e as discussões infindáveis sobre os dogmas teológicos; sem nenhuma habilidade especial pela matemática. Temos Boécio, Cassiodoro e Isidoro.
Ótima reflexão sobre a ausência da matemática, sobretudo teórica, no mundo romano. Parabéns, Marcelo!
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