Deirdre Nansen McCloskey > Por que o liberalismo não é popular? Voltar
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Basicamente, D McCloskey sustenta que só o liberalismo é racional. O socialismo seria baseado só em paixões.
Muito bem colocado. Mas eu acrescentaria que socialismo não é obrigatoriamente antÃtese do liberalismo, já que a maioria dos avanços sociais foram conquistados com polÃticas liberais.
José, você chegou perigosamente perto da "verdade" e por isso mesmo tentou disfarçar com certo pudor acadêmico. Mas vamos lá: sim, o "Estado previdenciário moderno" não nasce da razão iluminista nem do amor cristão ao próximo, nasce do medo. Daquilo que Spinoza chamaria de "paixão triste". E o sujeito, tomado por esse medo, não busca liberdade, mas tutela. E assim troca a angústia da escolha pela segurança do gado.
É o pacto neurótico: cuide de mim, me alimente, me trate, mas por favor, me poupe da responsabilidade de desejar . É isso que o Estado-babá faz, anestesia o sujeito com promessas de estabilidade, à custa da sua autonomia.
Acontece que o desejo, como bem nos ensinou Lacan, é o que nos constitui como sujeitos. Logo, quando se entrega o desejo ao Estado, o que resta é uma massa de identificações imaginárias à espera de um salvador, seja ele o Lula, o Haddad, ou qualquer outro "Outro" que venha prometer uma aposentadoria emocional. No fim, José, o socialismo previdenciário não é racional. Ele é racionalizado. E isso, como sabemos, é sempre um bom sintoma da neurose.
Os socialismos utópicos certamente são racionais, até por definição. Mas a evolução dos Estados liberais para os Estados previdenciários modernos (o mais próximo de socialismo que temos) é fruto das paixões. As pessoas tem medo da falência, da demissão, da doença, da velhice, e diante dessa paixão triste do medo cedem sua liberdade a uma burocracia que promete cuidar delas.
O problema eh que o homem, em geral, não é coerente nem quer ser coerente. Eh o princÃpio do utilitarismo levado ao individualismo, exacerbado pelas redes sociais. O racionalismo só serve para justificar a incoerência. Por último, Ivo, vc até pode ter boas ideias, mas pare de monopolizar o espaço aqui. Vc só vai afugentar comentários e interditar o debate.
CoizorrÃvel, Cláudio, é absoluta falta de simancol. Não sei como Fróid conceitualizou em alemão, infelizmente.
Claudio, obrigado pela preocupação, mas debate não se "interdita" com argumento demais. Isso só acontece quando falta fôlego ou sobra sensibilidade. A pluralidade não é ameaçada por quem fala muito, mas por quem se incomoda com quem fala fora da cartilha.
Sobre coerência, você tem razão: o sujeito não quer ser coerente, ele quer gozar, e justificar depois. As redes sociais só deram palco ao que já existia: um narcisismo difuso que exige razão seletiva e afeto sob demanda. O racionalismo vira ornamento. E a coerência, uma raridade.
Mas veja: se há ideias em jogo, que entrem outras. Não é meu texto que afugenta o debate , é a ausência de resposta à altura. Monopólio, meu caro, só existe onde falta concorrência. No mercado e na conversa. E aqui, felizmente, o espaço segue livre. Inclusive pra você.
"Liberal? Ah, aquele rico malvado que odeia pobre" Sim, claro. Porque todo liberal sai do berço abraçado ao Friedman com um porco capitalista no colo. Ninguém menciona que liberais sérios defendem imposto de renda negativo, vouchers para educação e saúde e a substituição do assistencialismo por autonomia produtiva. Mas a caricatura vende mais: é o velho "ricos x pobres" com filtro do Instagram e lente ideológica.
"A esquerda fala de justiça social, o liberal entrega resultados" Engraçado: quem tirou milhões da miséria nos EUA foi o imposto de renda negativo. Quem melhorou acesso à saúde e educação na Suécia e Chile foram os vouchers públicos com escolha individual. Mas aqui, liberal é só o burguês do meme, com cartola e charuto, dizendo "que se danem os pobres". Parabéns, Karl Marx do Twitter.
"Liberalismo? Nunca vi proposta nenhuma" Claro, meu bem. Porque você nunca leu uma linha de Hayek, Friedman ou Fernando Schüler , só lê thread de militante mimado ou meme da página "Esquerdismo Fofo". Vai ver pensa que voucher é nome de balada e imposto de renda negativo é gente sonegando. Se a ignorância desse voto, o Brasil era Suécia.
"O liberal quer que o Estado acabe" Errado. O liberal quer que o Estado funcione onde é necessário e saia da frente onde atrapalha. Saúde básica, justiça, segurança, educação com liberdade de escolha e transferência de renda inteligente, sso é polÃtica liberal. O resto é fetiche estatista ou delÃrio anarcocapitalista de quem ainda não desmamou da mamadeira do Leviatã.
"O liberalismo não é popular porque exige pensar" Não basta sentir. Tem que entender que gasto público tem limite, que subsÃdio vicia, que Estado não gera riqueza, só redistribui mal o que toma de quem produz. Isso frustra o sujeito histérico que exige tudo do Outro (governo) e nada de si. O liberalismo lhe nega o gozo de ser vÃtima.
"Você já viu alguém pedir voucher pra escola na passeata?" Não. Porque dar autonomia ao pobre ofende o militante profissional. Eles querem o pobre na escola estatal, vestindo camiseta de Che Guevara, aprendendo que ser livre é coisa de burguês. O liberal oferece autonomia educacional. A esquerda oferece cativeiro pedagógico com grito de guerra.
"PolÃtica liberal? Isso existe?" Existe. Está na raiz do Bolsa FamÃlia original (antes de virar circo populista), no Simples Nacional, no Microempreendedor Individual, nos sistemas de coparticipação educacional no Chile, no imposto negativo de Milton Friedman. Mas explicar isso dá trabalho. Melhor gritar “neoliberalismo genocida" e ganhar like.
"O liberal quer cortar o Bolsa FamÃlia!" Não, jovem. O liberal quer substituir o assistencialismo perpétuo por incentivo à autonomia. Renda mÃnima? Ok. Mas com data de validade, meta de saÃda e liberdade pra empreender. O liberal não quer que o pobre se dane. Quer que o pobre vire dono do próprio destino, e isso assusta quem lucra com a miséria alheia.
"A esquerda fala com emoção. O liberal precisa aprender" Sim, o liberal acredita que uma planilha fala por si. Mas o sujeito médio não chora com Excel. Chora com narrativas. Quer ver emoção? Mostra um camelô que virou empresário com microcrédito e sem burocracia estatal. Isso é polÃtica liberal com impacto social. Mas cadê o storytelling? Tá na planilha.
"Liberalismo é elitista!" Falso. Liberalismo é radicalmente igualitário no ponto de partida, e meritocrático no ponto de chegada. Só parece elitista pra quem quer igualdade no resultado, mesmo que o esforço seja nulo. O pobre liberal quer andar com as próprias pernas. O militante quer muleta estatal com hashtag de justiça social.
Nããããoo, Tia Auntie, não faça isso, já temos visualização excessiva de desgraças. Continue a publicar suas colunas de conversa com gente fina, que podem ser comparadas com a realidade visÃvel (sem fotos, basta andar de carro pelo centro de Sampa) e ter o destino que podemos imaginar. Tá de bom tamanho.
Acabo vendo a primeira linha, Ivo, e admito a covardia. Sabe no supermercado, "caixa de pequeno volume"? Poi Zé, nesse volume de coisas, não respondo.
Uai, cara Anete, como vários, mas não entro nas imensas polêmicas. Cruz credo, essa verborragia é horripilante.
Marcos, você também é perseguido? Cruz credo!
Você sabe a diferença entre não ler e ler e não poder responder, né? A primeira é ignorância. A segunda é covardia intelectual. Porque se você responde, expõe que critica o que sequer arranha em entender, e aà o verniz ideológico racha. Pra cima de mim, camarada? rs. Justo eu, que vivo no entre-linha? Eu sei quando o silêncio é pose, e quando é sintoma. E o teu é puro sintoma: leu, doeu, mas não pode responder sem se entregar.
Lacan diria que o sujeito deseja o silêncio do Outro, não porque quer paz, mas porque o discurso do Outro revela o vazio do seu. E aà dói. Dói porque desmonta o delÃrio de que o que você acha basta.
Não perca seu tempo, Ivo: enquanto postar três mensagens para falar nádegas, não será Lido.
Enquanto você passeia de carro pela cidade com o vidro fechado e a consciência anestesiada, o liberal quer discutir por que, após trilhões em impostos, a cena segue igual , ou pior ainda como na Bahia . Mas isso fere sensibilidades estéticas. É mais confortável ler crônicas de afeto com palavras bonitas do que encarar a catástrofe gerida por um Estado inchado corrupto e ineficiente, que vende miséria embalada em "justiça social".
E, aliás, adoraria saber o que você realmente conhece do liberalismo. Mas de verdade, não aquela caricatura de "burguês egoÃsta" feita em oficina de sociologia do ensino médio. Já ouviu falar em imposto de renda negativo? Vouchers públicos pra educação? Microcrédito desburocratizado? Descentralização fiscal com responsabilidade individual?
Ou seu repertório se resume a "ai, o liberal odeia pobre e ama planilha"? Porque se for isso, Marcos, o problema não é o liberalismo ser impopular, é o senso comum ser preguiçoso.
Acabei de ser expulso pelo murilo, cartesiano e positivista estão fora, justamente os que fizeram o mundo andar para frente e tiraram a humanidade da miséria ,
Paulo, ser expulso por ser cartesiano e positivista hoje em dia é quase prova de sanidade. Você representa o sujeito que acredita em método, causalidade, progresso, tudo o que o discurso mágico-pseudoacadêmico chama de "opressão epistêmica".
Enquanto Descartes e Comte ajudaram a tirar a humanidade da caverna, Murilo e sua trupe pós-tudo tentam nos devolver ao útero simbólico do Estado-mãe, onde não há mérito, nem erro, só afeto estatal, cotas existenciais e epistemologias do ressentimento. Fique firme. A ciência levou milênios pra emergir, mas basta um doutorado em estudos performativos pra ela ser chamada de "colonia".
Existe aquele ditado: se você não está pagando pelo produto, você é o produto. As pessoas gostam de coisas grátis e o Estado interventionista as proporciona, assim como fazem as plataformas de internet. Tudo em troca de nosso voto, que legitima uma imensa carapaça burocrática que vive de nossos impostos.
José, você acertou o ponto com bisturi suÃço: o Estado interventionista vende "coisas grátis" como se fosse pai amoroso, mas na verdade compra votos com o próprio dinheiro do eleitor, e ainda te faz agradecer. É o loop perfeito do gozo servil: o sujeito cede sua liberdade em troca de um benefÃcio simbólico embalado em discurso de justiça social.
No fundo, como diria Lacan, o sujeito aceita ser produto, desde que possa culpar o Outro pelo preço. E o Leviatã estatal agradece, gulosamente, com mais cargos, mais fundos, mais ministérios... e menos autonomia pra quem trabalha. Você resumiu o Brasil em uma linha: paga pra ser explorado, vota pra continuar sendo, e ainda xinga o liberal por querer desmontar essa farsa. Bravo.
O dito liberalismo essencial só é essencial para quem sabe desde que nasceu que vai ganhar a "competição".
Gustavo... nada como o velho truque da "aspas irônicas" para escapar do que foi dito quando o argumento fraqueja. Você idealizou sim uma crÃtica à "competição liberal", projetando nela toda sua fantasia de opressão, e agora tenta se esquivar como quem diz: "não era bem isso que eu quis dizer, você que não entendeu minha ironia sofisticadÃssima".
Mas veja só, camarada: a própria necessidade de colocar aspas na "competição" já é sintoma. No fundo, você sabe que ela existe, e que funciona. O que te incomoda é o Real que escapa ao discurso: a vida é competitiva. E o sucesso de uns não se sustenta por causa do fracasso dos outros. Isso é paranoia ideológica, não sociologia. Você não deprecia o "resultado". Você deprecia o sujeito que ousa não ser você.
Aliás, o que você faz não é crÃtica, é caricatura. O "liberalismo romântico" que você combate existe só na sua cabeça. No mundo real, o liberalismo é sobre criar condições para que o sujeito possa escolher o que fazer com seu desejo, e não viver sob tutela eterna de um Estado que precisa que ele permaneça impotente para continuar se dizendo necessário. Você não deprecia o "resultado". Você deprecia o sujeito que ousa não ser você.
Gustavo, você não escreve: você confessa. Seu texto é o equivalente discursivo a um surto de recalque com formação reativa em tom universitário. Não estamos diante de um argumento, mas de uma tentativa desesperada de manter sua posição de sujeito suposto saber num mundo que insiste em não confirmar suas certezas de juventude trotskista.
“O liberalismo propõe o aprofundamento da falência” Falência, Gustavo, é o que você defende há décadas e chama de "justiça social". O Brasil é o experimento fracassado dessa utopia que você chama de "Estado necessário". Em nome dos pobres, vocês criaram uma máquina estatal que precisa que eles continuem pobres para existir. É o velho truque do discurso do mestre disfarçado de salvador.
“O autoproclamado liberal diz que negros vivem na miséria porque não se esforçam” Não. O liberal diz que a única forma honesta de superar a miséria é criar condições para o esforço valer a pena. Quem reduz toda crÃtica à cultura da dependência à negação do racismo está apenas usando o sofrimento real como biombo ideológico. Racismo existe. Mas a idolatria do Estado como única tábua de salvação também.
“Voucher é o anti-Pix” Essa é genial. Não por ser verdadeira, mas por ser reveladora. Você confessa que não suporta o pobre podendo escolher. Voucher, para você, é uma ameaça porque quebra o monopólio estatal da educação como fábrica de militantes de baixa performance. Quando o pobre escolhe, ele pode não escolher você. E isso te apavora.
“Trabalho numa escola há 26 anos...” Então você sabe, Gustavo. Você vê a miséria simbólica. Você vê o sujeito desnutrido de desejo, a criança abandonada pelo pai e adotada pelo Estado-ama-seca. E mesmo assim, prefere defender o sistema porque nele você tem lugar. É a velha identificação com o sintoma.
“A ideia de Estado mÃnimo não tem relação com liberdade” Claro. Porque para você, liberdade só existe se for mediada por comitês, conselhos, fóruns, ONGs conveniadas, sindicatos e coletivos. A liberdade do outro, que não precisa de você pra viver , te incomoda profundamente. Porque ela expõe que seu desejo é ser necessário, e não que o outro seja livre.
“Você fará campanha pro TarcÃsio” Não. Eu não sou militante, sou liberal. E liberal não segue pastor, nem da igreja, nem da sociologia. Eu quero um Estado que faça menos, mas faça melhor. Que proteja contratos, vidas e liberdade. Você quer um Leviatã carente, que mame no orçamento e ainda peça carinho.
Você grita contra o "mercado", mas o que te angustia é o gozo do outro: aquele que prospera sem te pedir bênção. O empreendedor que não leu Laclau. A diarista que virou MEI. O estudante que, com voucher, fugiu da tua sala de aula. São esses que desmontam teu discurso com o simples gesto de existir fora da tua bolha. E aÃ, como um bom histérico, você clama por um mestre: o Estado. Mas relaxa. Ainda dá tempo. O primeiro passo pra sair do delÃrio é admitir que ele não funciona.
Ah, Zé... Caso você tivesse um pouco mais de capacidade de interpretação de texto teria entendido que eu coloquei a competição entre aspas justamente para ironizar o liberalismo romântico que idealiza uma sociedade de competidores, sem aspas, onde venceria o melhor. No final das contas, “entendeu” que eu faço a mesma viagem que os liberais, com a diferença de depreciar o resultado. Que posso “responder”?
Gustavo, a ideia de "competição" é uma metáfora esportiva ou militar inadequada para a realidade social. Por exemplo: o Lula certamente venceu na vida, desde que veio num pau de arara para São Paulo. Mas no mesmo caminhão poderiam estar outros que trabalharam como porteiros de prédio ou garçons durante a vida, e criaram suas famÃlias. Eles "perderam" na vida? Não vejo assim. Foi exatamente o desenvolvimento capitalista que permitiu que saÃssem da pobreza rural.
É bem interessante a sua tentativa de “expulsar” do liberalismo os partidos que se pretendem ou se pretendiam liberais. Como não acredito que vá fazer a defesa do falecido PFL, só confirma a minha conclusão de que ninguém no paÃs acredita nessa fantasia doutrinária de justiça através do laissez-faire. No ano que vem, com toda a verborragia, você fará alegremente campanha grátis para o TarcÃsio, com todo o “capitalismo de compadrio” que a coisa possa trazer.
O Estado brasileiro sempre foi oligárquico. No Império, onde não à toa os dois partidos reivindicavam a herança liberal, ele era muito menor, mas beneficiava os bem-nascidos de maneira ainda mais descarada do que o que acontece hoje. A ideia de Estado mÃnimo não tem a menor relação com liberdade. Seria apenas um Estado reduzido a porrete a favor da grande propriedade.
“Voucher é o anti-Pix”. De novo a viagem de Boeing. Quem fiscaliza a qualidade da escola privada contratada por polÃticos de direita? O TarcÃsio? O Cláudio Castro? Trabalho numa escola estadual há 26 anos, e mesmo com a falta de perspectiva de vida da maioria um punhado de alunos de cada turma que se forma ingressa na faculdade. Só mesmo um liberal de Internet para crer que a escola, sem polÃticas de habitação, saneamento e saúde que funcionem, pode trazer soluções mágicas para a população.
A UDN não queria descentralização alguma. Batia na porta dos quartéis implorando por golpe, e basta uma olhada preguiçosa em qualquer manual para saber que isto aconteceu inúmeras vezes. Os sucessores dela também não fazem feio no quesito. Aliás, a sua menção a “invadir ministério” leva a conclusões fáceis, como a identificação com os que rezam para pneu, e passam longe de qualquer descentralização. Pelo contrário, adorariam ter no Planalto um Pinochet desbocado governando sem oposição.
O liberalismo incomoda porque propõe o aprofundamento da falência. Propõe trazer a lei do mais forte para onde a maioria já é esmagada quase sem mecanismos de defesa. O autoproclamado liberal brasileiro é basicamente o cara que diz que os negros vivem na miséria desde a Abolição porque não se esforçam, e outras pérolas desse tipo. Sempre, sem dúvida, contando a história de exceções como se pudessem se tornar a regra.
"O liberalismo no Brasil nasceu das viúvas da ditadura." Curioso: o sujeito cita Machado de Assis, mas analisa polÃtica como quem lê panfleto de grêmio estudantil dos anos 80. O PL nunca foi liberal, e o Novo se tornou o que se tornou justamente por se afastar dos princÃpios liberais em nome de lacração performática. Mas o mais engraçado é ver socialista acusando os outros de degenerar ideias. Freud chamaria isso de projeção. Lacan chamaria de gozo em denunciar o gozo do outro.
"O Estado brasileiro é oligárquico, logo o liberalismo é cúmplice." Gustavo, o Estado é oligárquico justamente porque é grande demais, aparelhável demais, e eternamente capturado por "companheiros". Dizer que o liberalismo defende isso é como dizer que o Greenpeace promove desmatamento porque a Amazônia ainda queima. Essa confusão entre diagnóstico e prescrição é um sintoma clássico do desejo de manter a fantasia intacta: o culpado não é o excesso de Estado, é quem quer podá-lo.
"Vouchers são financiamento estatal do lucro privado." E a escola pública falida é o quê? Caridade pedagógica? O voucher é o anti-Pix: você financia o aluno, não a estrutura parasitária. Só quem nunca estudou economia, nem pisou numa sala pública de periferia, acha que "lucro" é mais obsceno que o fracasso estatal.
. "Liberal virando a mesa é tradição desde a UDN." Ah, a boa e velha inveja do jantar ao qual nunca foi convidado. A esquerda pode quebrar vidraça, jogar pedra, invadir ministério, que é "luta". Mas se um liberal propõe descentralizar o Estado, já é "golpismo". Essa necessidade de manter o monopólio da virtude revela muito mais sobre o delÃrio de pureza moral do analista do que sobre a realidade.
O Gustavo sofre do que Lacan chamaria de "angústia diante do gozo do Outro". O liberalismo incomoda não porque falhou, mas porque aponta, sem culpa, para o fracasso estrutural do modelo estatólatra. É o sujeito que, diante do espelho rachado do Estado, prefere quebrar o reflexo a admitir a falência.
Já dizia o velho Machado de Assis que “a Ciência PolÃtica no Brasil encontra seu limite na testa do capanga”. O liberalismo nem precisa desse limite. Basta notarmos que o primeiro partido construÃdo nas últimas décadas para propagar esta ideologia (PL) foi criação de viúvas do regime militar e degenerou até resultar no bolsonarismo. O segundo (Novo), mal tirou as fraldas já se tornou um reduto da extrema direita mais raivosa.
O Estado brasileiro não é um ser dotado de vida própria. Ele é oligárquico desde sua fundação no século XIX. Chega à s raias do ridÃculo, então, insinuar que o liberalismo, que no paÃs sempre foi bandeira dos “grandes e bem relacionados”, para usar os seus termos, vai defender os “pequenos e médios” de alguma coisa.
Chega a ser cômico você bradar contra o “Pix público” e fazer toneladas de discurso em favor de vouchers para a educação, que nada mais são do que financiamento estatal para o lucro privado. Liberal virando a mesa é sinônimo de liberal brasileiro, desde no mÃnimo a criação da UDN, que poderia concorrer, por mérito, ao tÃtulo de maior partido golpista da História. Não discordo da opinião de que é oportunismo, mas tirando um punhado de intelectuais que produzem apenas ideologia em institutos banca
Você fala em despojar as oligarquias de "tudo que tomaram", como se o Estado brasileiro já não fizesse isso todos os dias, dos pequenos, dos médios, dos produtivos, para sustentar justamente os grandes e os bem relacionados. A revanche que você pede já é polÃtica pública, só que mal dirigida e mal disfarçada. RS
E claro, você decreta que "no Brasil nem vale iniciar a discussão" clássico do militante que prefere o gozo da impotência indignada à responsabilidade de construir alternativas reais. É muito mais confortável exigir "despojamento das oligarquias" do que defender regras iguais, impostos simples, justiça célere e um Estado que não seja sócio de quadrilha com CNPJ. A sua revanche, Gustavo, não é justiça, é gozo travado no tempo da infância polÃtica.
Gustavo, confundir liberalismo com a distorção patrimonialista que reina no Brasil é como culpar a dieta pelos quilos do banquete. O que você está descrevendo não é liberalismo, é capitalismo de compadrio, aquele em que o Estado escolhe os vencedores com base em vÃnculos ideológicos, lobby e jantares financiados com verba pública.
Basta lembrar do Bndes distribuindo bilhões a juros subsidiados para empreiteiras "camaradas", que depois devolviam o favor via caixa 2, superfaturamento e obra inacabada com outdoor de "justiça social".
O liberalismo não consagra privilégio, ele quer destruÃ-lo. Quer fim de isenção tributária pra empresa amiga, fim de monopólio sindical, fim de reserva de mercado e fim de apadrinhamento estatal que transfere renda do pobre produtivo pro rico conectado.
O que você chama de "liberal virando a mesa" é só um empresário estatal gritando "livre mercado!" no lucro e "socorro, governo!" no prejuÃzo. Esse cara não é liberal, é oportunista, ou melhor: parasita de ocasião com discurso alugado.
Liberalismo exige algo muito impopular: liberdade com consequência. O resto é gozo de ressentido projetado no espantalho liberal que você construiu pra bater. Se quiser, te apresento o original, sem filtro, sem favores, e sem Pix público.
O liberalismo promete jogo limpo e no mundo concreto consagra o privilégio e o apadrinhamento. Nas poucas vezes em que os apadrinhados perdem, se esquecem do discurso liberal e no dia seguinte querem virar a mesa.
Vejam só quem fala de fantasia... Essa pretensa liberdade com responsabilidade, supostamente para todos, só existe no reino das nuvens. Na prática, a Justiça tem classe, cor e gênero, mesmo nas sociedades consideradas “avançadas”, e todos são tratados de maneira desigual. No Brasil, então, nem vale iniciar a discussão. E sim, a revanche é válida: só haverá Justiça quando as oligarquias forem despojadas de tudo que tomaram dos trabalhadores ao longo dos séculos.
Gustavo, o liberalismo não promete vitória, promete jogo limpo. Quem quer "ganhar garantido" costuma preferir o estatismo, onde o resultado vem por cota, privilégio ou apadrinhamento. O liberalismo essencial é, sim, essencial: ele tira o juiz vendido, a regra manipulada e a torcida organizada do Estado.
Essa tua ideia de que só quem "nasce ganhando" pode competir é mais uma fantasia do superego ressentido: o desejo de um pódio garantido pela culpa alheia. Mas a vida, meu caro, não é distribuição de medalha, é construção de liberdade com responsabilidade. Ou, como diria Lacan, o sujeito que quer justiça com resultado garantido não quer justiça , quer mamadeira simbólica estatal com gosto de revanche.
Porque o liberalismo somente é bom para quem já tem dinheiro no bolso.
Paulo, dizer que o liberalismo "só é bom pra quem já tem dinheiro" é como dizer que a alfabetização só serve pra quem já sabe ler. O liberalismo não parte do dinheiro, parte da liberdade de criar, empreender, errar e tentar de novo sem o Estado pendurado no teu cangote cobrando taxa, licença e carimbo.
Quer um exemplo? Imposto de renda negativo: transfere renda pra quem ganha pouco, mas sem prender o sujeito numa rede de dependência, como fazem os programas clientelistas. Ou vouchers educacionais: o pobre pode escolher onde estudar, em vez de ser condenado à escola pública mais próxima da desgraça.
O liberalismo não promete riqueza instantânea, promete um caminho livre de amarras estatais e privilégios de casta, onde até quem tem pouco pode crescer. Mas isso assusta quem prefere esperar uma "redistribuição mágica" enquanto repete que o sistema é injusto.
O liberalismo não é popular porque ele não dialoga com o povo. Ele dialoga com os ricos. Empreendedorismo , liberdade, bem-estar, só existe para quem possui capital. Quem não tem capital não tem acesso a estas coisas. O liberalismo não é para o povo.
Claudio, essa tua frase daria uma ótima camiseta de militante: "Liberdade só pra quem tem capital." Mas vamos aos fatos: o liberalismo sério foi o primeiro a defender renda mÃnima via imposto de renda negativo, vouchers educacionais para famÃlias pobres, microcrédito desburocratizado, empreendedorismo de base e estado funcional em vez de paizão ineficiente.
Quem te disse que liberdade é só pra rico estava vendendo panfleto, não projeto de paÃs. Porque, veja: quem depende do Estado pra tudo não é cidadão, é cliente cativo de governo. E o liberalismo quer justamente o oposto: tirar o pobre do cativeiro estatal, não deixá-lo confortável dentro dele. Pra usar Lacan: o povo não está excluÃdo do discurso liberal, ele está alienado num discurso onde o gozo vem de culpar os ricos, não de mudar de classe. E isso, meu caro, não é polÃtica. É religião com
A resposta à pergunta é simples: esse liberalismo essencial é uma representação triste e muitas vezes repugnante do que é primitivo, anticivilizatório e principalmente desumano.
Prezado Ivo, os exemplos citados da Dinamarca e da Suécia são muito bons para demonstrar precisamente o contrário. Esse liberalismo essencial que a colunista sustenta não inclui os sistemas de bem-estar social com fortes redes de proteção para todos os cidadãos que caracteriza esses dois paÃses.
Gustavo, chamar o liberalismo de "anticivilizatório" enquanto paÃses como Suécia e Dinamarca combinam liberdade econômica alta com baixa desigualdade social é, no mÃnimo, ignorar o mapa. Esses paÃses têm mercado aberto, empreendedorismo desburocratizado, imposto de renda negativo, vouchers para saúde e educação, e são os menos desiguais do planeta. Se isso é "repugnante", então civilização agora se mede por slogan, não por resultado.
só nao é popular entre loosers-perdedores..
Chego a me divertir com os vencedores que nem sabem que uma frase deve começar com letra maiúscula.
A autora apela para argumentos socio-cientÃficos, mas desconhece os estudos sociais da ciência, que mostram a ciência como prática social aberta, com diversidade de método e epistemologia. Critica o “lado direito do cérebro”, mas expressa um pensamento mais ideológico do que cientÃfico. Dissenso não é patologia cognitiva, é pressuposto da democracia. Mas isso não é papo pra cartesianos, nem pra positivistas
Murilo, você citou "estudos sociais da ciência" como se estivesse revelando um segredo iniciático do templo pós-estruturalista. Mas calma: reconhecer a ciência como prática social não obriga ninguém a relativizar a gravidade, o déficit fiscal ou a miséria causada por populismo. E sim, dissenso é saudável, mas transformar toda discordância em sintoma do "outro ignorante" já é histeria performativa com glossário acadêmico. Vai um pouco de Descartes com suco de Bourdieu a�
#somos99%
Ivo, eu declino! rsrsrsrs
Não, não é isso. Existe vida inteligente, ainda que os bolsopetistas não acreditem, e ela é bem maior que 1%.
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