Marcelo Viana > Máquinas podem pensar como nós? Voltar
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O outro lado da moeda é que está cada vez mais difÃcil para um humano passar pelo teste de Turing invertido. Basta fazer qualquer trabalho razoável que a suspeita de que "isso foi feito pela IA" vem logo à tona. Suspeita que em breve se tornará irrelevante, dado que usar IA logo deixará de ser uma opção e saber fazer bom uso da IA será uma competência humana bastante cobiçada.
Uma falha das IAs mais populares que pode comprometer sua aprovação no teste de Turing é a dificuldade em discordar e a absoluta incapacidade de dizer "não sei". Uma calibragem "acadêmica" dos algoritmos atuais certamente conseguiria emular um humano com ainda mais precisão, mas os modelos comerciais investem demais em empatia e engajamento para serem economicamente interessantes e acabam revelando a sua natureza não humana. No mais, está cada dia mais difÃcil um humano passar no teste de Turing
Professor, sempre leio maravilhado seus artigos. Muito obrigado por dividir conosco - de modo simples e acessÃvel, sua bagagem acadêmica.
Passar no Teste de Turing da forma como foi proposto inicialmente, apenas conversação, já está provado há 30 anos que não é garantia de inteligência. Somente para linguagem e conversação, desde de 2012, algo chamado Desafio de Winograd é utilizado como testes para saber se sistemas de IA possuem mesmo inteligência. Até agora, nenhum passou (no caso geral). Dica de tema para próximas colunas, Prof. Viana, falar sobre este Desafio de Winograd.
Temos que reconhecer que ainda não sabemos ou temos uma definição completa do que seja inteligência e consciência. Talvez não seja tudo isso que imaginemos e as simulações com as LLMs, mostram que talvez não seja um monopólio humano. Em outras palavras, o que chamamos de inteligência e consciência, pode ser alcançado por outros meios ou outros sistemas, não necessariamente orgânicos. Então, como sempre para nós humanos, mais humildade sempre faz bem.
Claro que não.
Explica, mesmo, Marcelo. Este é um problema crucial. Algum dia as máquinas terão autoconsciência? Então, sob o ponto de vista das máquinas, o homem será seu Deus, pois elas foram criadas à imagem e semelhança do homem.
Sou adepto do pensador Hubert Dreyfus, que defende que os computadores funcionam baseados em regras formais e sÃmbolos, daà a impossibilidade da IA realizar abstrações como os humanos.
Os computadores se baseiam em circuitos que podem ter corrente ou não. Que eu saiba, nossos neurônios e sinapses não funcionam assim. Portanto nós, "computadores de carbono", somos bem diferentes dos computadores de silÃcio. Mas assim como os veÃculos sobre rodas substituÃram com vantagem os cavalos, a inteligência artificial pode substituir a humana em um número enorme de funções. Diagnóstico médico e sentenças judiciais por exemplo.
*tudo = fechado, nada = aberto
José, o neurotransmissor pode ou não estar na fenda sináptica. O potencial de ação da célula nervosa atende o princÃpio do tudo ou nada. Isso equivale ao circuito elétrico estar aberto ou fechado. Contudo, há diferenças, por ex., na velocidade de propagação do impulso nervoso que é a própria corrente elétrica que percorre a fibra nervosa. As mais rápidas conduzem a 110metrosporseg, muito inferior à velocidade da corrente num fio de cobre.
Entretanto houve argumentos contra o teste de Turing. O filósofo John Searle1980, fornece o argumento do quarto chinês. Nesse quarto sem janelas há duas fendas. Os nativos chineses colocam um folha com perguntas em chinês numa fenda e recebem respostas em papel pela outra fenda. Serle diz que dentro do quarto pode haver alguém que não fala chinês mas que usa um enorme livro de regras de sintaxe para dar respostas "inteligentes". Para Serle respostas sintaxe não são suficientes para a semântica.
Turing acreditava que o objetivo da IA era desenvolver máquinas que passassem no teste de Turing sendo fluente na linguagem e nas respostas que são indistinguÃveis de um ser humano. Notem que isso até incluiria os erros humanos também; a IA não precisaria ser absolutamente exata. Ela pode ser programada para ser falÃvel como os humanos são. Turing mesmo disse que a IA poderia cometer erros aritméticos como os humanos cometem.
Um dos livros mais interessantes que já li, o GEB, não só pelas ideias, mas pelo formato e como são apresentadas. Já Emperor's..., não compro as ideias do Penrose sobre o assunto, mas ele é brilhante e o livro é muito bom, ao menos coloca um contraponto à teoria computacional da mente/consciência como é vista pelo mainstream da área, mas ainda acho muito especulativo.
Desde Shannon a IA e seus objetivos evoluÃram. A Britannica define a IA como a habilidade de um computador digital ou um robô controlado por computador de realizar tarefas comumente associadas com seres inteligentes; lembrem-se dos golfinhos. Copeland2022.
O termo inteligência em inteligência artificial não é tão facilmente estabelecido. O entendimento de um leigo parece indicar que IA é uma inteligência parecida com a humana exibida por agentes feitos pelo homem ou sistemas como um computador, ou um programa de computador ou um robô. O termo inteligência levanta várias questões do senso comum e até filosóficas. O termo IA foi cunhado por McCarthy, Minsky e Shannon. A definição deles: "IA é a ciência e engenharia de fazer máquinas inteligentes".
Sobre razão/desrazão na perspectiva filosófica foucaultiana, o mesmo aborda através da ilustração "Relativity 1953" Escher, como a saúde mental era institucionalizada à época. Para o filósofo, a razão era per se, lacônica e imperativa na história da loucura. Se quiserem dar uma volta no you tube a ref . é "M.F. por ele mesmo 2".
O termo inteligência é aplicado a seres humanos, mas estudos recentes indicam que outros animais, por exemplo golfinhos, apresentam comportamentos inteligentes; então não podemos falar que máquinas inteligentes simulam seres humanos. Transpor inteligência para máquinas leva várias objeções filosóficas. Penrose indicou nesses livros que a consciência não pode ser reproduzida por meio computacional. Penrose forneceu parte da matemática para a teoria dos buracos negros de Stephen Hawking.
No livro "The Emperor's New Mind", Penrose disse que através do uso da nossa consciência, nós nos tornamos capazes de realizar ações que se encontram além de qualquer atividade computacional. A ideia foi apresentada como uma hipótese especulativa. No livro "Sombras da Mente", Penrose fornece uma argumentação mais poderosa e rigorosa para essa conclusão geral, além de ser aplicável para qualquer processo computacional.
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