Marcelo Viana > O problema dos dez martinis Voltar
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Boa noite Professor. O sr viu esse menino Kesseler que bolou uma fórmula matemática. O brasileiro é qq coisa de ótimo.
Com 10 martinis qualquer um consegue uma compreensão metafÃsica superior que se não lhe permite desvendar o enigma leva-o a imaginar que sim.
A história que Marcelo Viana citou não é apenas um fato curioso da vida de Hofstadter. É um microcosmo do processo de inovação cientÃfica.
Hofstadter disse que ofereceria "dez martinis" para quem resolvesse o problema, enfatizando sua convicção na profundeza e dificuldade da questão. O fato de o problema estar intrinsecamente ligado a essas estruturas fractais que ele defendia contra a descrença geral acrescenta uma camada a mais de significado à anedota.
O GEB é considerado uma obra-prima, um texto fundador nos campos da ciência cognitiva, da inteligência artificial e da filosofia da mente. Os conceitos que seu orientador chamou de "numerologia" são hoje pilares da compreensão de sistemas complexos.
Essa pesquisa, que quase lhe custou a bolsa, tornou-se o livro "Gödel, Escher, Bach: Um Entrelaçamento de Genialidades" (GEB). O GEB não apenas foi publicado, como ganhou o Prêmio Pulitzer de Não Ficção em 1980.
Essa reação é um lembrete poderoso de que a genialidade nem sempre é reconhecida instantaneamente. A intuição que leva a um avanço paradigmática pode, de fora, ser indistinguÃvel de uma obsessão sem sentido.
Representa o conflito clássico entre a visão de um gênio solitário e o conservadorismo do establishment acadêmico. O orientador, provavelmente um cientista brilhante mas formado em uma tradição diferente, não conseguia enxergar a estrutura lógica por trás das observações de Hofstadter.
A ameaça de cortar a bolsa não era apenas sobre o dinheiro; era uma declaração profunda sobre a validade intelectual do trabalho.
Na época em que Hofstadter trabalhava em sua tese (década de 1970), os conceitos de auto-referência e estruturas recursivas que ele explorava (e que mais tarde floresceriam na teoria dos fractais e na ciência da complexidade) eram profundamente contraintuitivos para a corrente principal da matemática e da fÃsica.
Esta coluna sobre Douglas Hofstadter é uma ilustração perfeita e dramática dos dramáticos desafios que pensadores verdadeiramente inovadores enfrentam ao desafiar os paradigmas estabelecidos.
Com ou sem martinis aguardei
Eu não quero perder a continuação de jeito algum, Marcelo.
Uma dúvida é: como se sabe que um fluxo magnético é irracional? Experimentalmente ele só pode ser conhecido com uma determinada precisão. Assim, seu valor vem sempre com um certo número de casas decimais, ou seja, é sempre racional.
Perder a continuação? De jeito nenhum! E vou ler tomando martini.
Cadê os martinis ? Isso é golpe baixo, vou ter que ler a continuação !! (maravilhoso)
Excelente artigo descrevendo de maneira precisa uma história fascinante. Por alguma razão, certos modelos matemáticos identificam como uma "singularidade" o estado correspondente a um número real do parâmetro, mas podem ser estudados como limite de uma sequência de estados para valores racionais deste.
Minha formação é em outra área, Ciências Biológicas, mas vejo beleza na Matemática. Uma equação escrita no quadro negro é pura poesia. Vou esperar, ansiosa, o próximo capÃtulo do Problema dos dez martÃnis.
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