Ruy Castro > Cravei, mas não foquei Voltar
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Crônica um tanto preciosista, palavras assumem significados diferentes todo o tempo, mas quem sou eu senão mero palpiteiro.
Magistral,como sempre.Como professor de LÃngua Portuguesa há quatro décadas(para não dizer 41 anos..rs),sempre ouvi:"A LÃngua Portuguesa é difÃcil!"E minha resposta:"Não!Ela é rica.Uma palavra tem vários significados."E o retruco:"São muitas regras!"Bom,a LÃngua Portuguesa não se reduz à Gramática,mas deve ser entendida e respeitada em seu"uso".Você mostrou o uso"metafórico e sinonÃmico",expressões idiomáticas,concordemos com elas ou não."Última Flor do Lácio".
Adoro essas abordagens! Outra coisa que chama a atenção atualmente é o uso redacional de verbos no infinitivo sem o R final : dá, vê, comê, etc.
São Paulo, domingão trancado em casa, lá fora 16°C, vento frio e forte. Imprimi o poema (?) Foco, acendi a lareira com ele e resultou num aconchegante Fogo. Quem diria, hein? A poesia tem utilidades, não é mera descarga fÃsica, do grego Dia (através de) e do latim Réia (coisas). Eta foguinho bão, siô!
Outro dia uma estudante numa entrevista disse que foi atravessada pelo tema que estuda. Ela não se interessou, não teve a atenção atraÃda, não focou, foi atravessada.
Muito obrigado. Não sei se fui atravessado pela informação, (rs).
Sim, este atravessamento é termo técnico presente na psicanálise, no budismo etc. O aprendiz que só repete o que lê só circula o saber estabelecido e esquece logo. Ser atravessado por um tema, porém, significa ruptura: algo no objeto de estudo interpela pessoalmente o aprendiz, desarranja seu modo de ver, é o o "insight" que muda seu olhar e exige comprometimento, mudança, adesão.
Ruy, voce sabe se o Nelson Piquet vai dirigir o Carburão até a Papuda?
Que lembrança formidável, Weber... Esta cena só não é mais patética porque no banco de trás, com pose tÃpica que só outro Bolsonaro conseguiria sustentar, estava o vereador penetra Carluxo sentado no encosto com os pés no assento do Rolls-Royce da Presidência da República, imagine.
Nada de mais, apenas a lÃngua seguindo seu curso, como sempre aconteceu. Muito provavelmente, na Roma antiga devia haver comentaristas imprecando contra os "maus" usos do latim, que acabariam, por exemplo, desembocando no português brasileiro atual.
Ah, eu gosto de focar! Sempre imagino uma foca batendo palminha e soltando seus grunhidos, "focada" em abocanhar a sardinha que virá, voando, rumo à sua boca. Quando foca, sardinha avua!
Um dos usos de palavras que mais detesto é "diferencial". Por que diabos não usam mais a palavra "diferente"? O pior é que não há a mÃnima reflexão, todos passam a repetir o que ouvem.
Ruy falou.... e disse!
Também acho tão besta esse verbo focar.
"Analistas cravam Papuda como novo endereço de Bolsonaro". "Negativo. Tá ok,por.." Há imprensa irrita com uma série de clichês. Bolsonarista ataca isso, aquilo e o enguiço. Tudo virou ataque à democracia e à s instituições,menos os verdadeiros ataques que a própria mÃdia faz diariamente ao distorcer e manipular os fatos.
Observe, senhor José, que a coluna não trata de ataques à democracia. Pela atenção, obrigado. Próximo!
Que a mÃdia destorce e manipula é fato. Entretanto só reclamamos quando ela diz o que a gente não quer ouvir. Tenho certeza que você não pensa que a Gaseta do Povo, a rádio Auriverde ou teus sitios de fofocas polÃticas preferidos manipulem ou destorçam.
hahaha, chola mais, a papuda se aproxima
Há parte da imprensa que irrita...
Lugar de golpista, soluçante ou não, é na cadeia. Cravei!
Ruy, peço perdão, mas o substantivo feminino escâncara, por ser palavra proparoxÃtona, leva acento na antepenúltima sÃlaba..
"E temos também "escancarar". Ninguém mais revela, admite, confessa ou confirma qualquer coisa —escancara." Não é substantivo. É o verbo ESCANCARAR flexionado na terceira pessoa do singular do presente do indicativo. Nessa, o Rui está certo.
Como em às escâncaras.
E a mania do inglês? Essa é ainda pior que a dos clichês (que já são mania por serem clichês!).
Verdade, José. Às vezes penso que vivo na Austrália , o clima e a lÃngua parecem os mesmos.
Passei a ter ódio do verbo "entregar".
Parabenizo o colunista por mais um texto, como uma chama tênue nessa escuridão. Não citou "a questão" disso ou daquilo. Tampouco "as pessoas" isso ou aquilo.
Cravei, mas não foquei. É chamativo. Leu o tÃtulo a curiosidade ler o texto. Muito bom.
Pior ainda é no ramo empresarial: o DNA da empresa, a resiliência dos colaboradores, a assertividade de qualquer coisa, a missão, as crenças e os valores daquele ser inanimado. Além disso, tem-se a terrÃvel mistura do inglês com o português, como se fosse algo chique, e não cafona: o sujeito é CEO, partner e founder da empresa "x", um dia teve um insight e blá, blá, blá.
No futebol: Marcação alta, será ´que é quando o time joga em La Paz? ùltimo terço: será que é aquela oração antes do começo do jogo?
Muito bom, Ruy! Haja dinamicamente na nossa lÃngua! Ontem, ouvi em um telejornal uma análise de como as ações estavam "performando" nesta semana...
Cravei em focar na administração por você. Parabens
Admiração
Só o Ruy Castro, com a sua caracterÃstica genialidade , para transformar um dia nublado em ensolarado e nos permitir um momento de intensa alegria acompanhado de boas risadas!
Ótimo artigo. Ruy mostrou a sua arte de escrever falando sobre um assunto que à primeira vista poderia parecer simplório.
Desculpe Ruy. Eu foquei e cravei. Ruy Castro é o melhor colunista da FSP. ponto final. Pelé foi o maior jogador de futebol de todos os tempos. ponto final.
Li a matéria algumas vezes, Ruy. Acho que estou precisando de ajuda da Profa. Suzana H Houzel. FaÃsca atrasada diz meu amigo aqui. Fui perguntar ao google: módulo não manda sinal pra bobina :(
Em primeiro de abril de 1964, as cúpulas militares, bateram o martelo, e o desfecho foi cruel e desastroso. A maioria dos brasileiros cravaram a vitória da seleção brasileira sobre a Alemanha, e ainda hoje estamos em prantos pelo fiasco. Manifestantes pró-anistia, escancararam a bandeira dos EUA, na Paulista, um vexame colossal. O ex-deputado R Jefferson,disparou contra os Federais, e a direita o aplaudiu. Bolsonaro, não focou em sua prisão e, ela ocorreu. Sigamos em frente, pois a vida é curta.
E atrás vem gente.
E a pergunta travestida de chavão? " Isso faz sentido pra você? " Horroroso!
Ruy, você é ótimo! O meu clichê favorito, depois de focar, verbo deveras ridÃculo, é impactar. Em vez de influir, tudo hoje em dia impacta. E tem um novo, importado do inglês, o "funciona para mim". Ou seja, você pergunta a uma pessoa se tal horário lhe é conveniente e a resposta, invariavelmente, é "funciona para mim" (works for me, muito usado nos EUA). Outro dia, li um velho clichê ressuscitado, "o pontapé inicial". E eu sigo aqui, sempre focado na sua imperdÃvel coluna.
Faltou citar cair a ficha, até em caso de morte.
Além dos chavões como "no final do dia" (simples cópia do chavão americano), há os insuportáveis termos como "narrativa" no lugar de afirmação e "gente" no lugar de "nós"; sem falar da conjugação verbal que substitui o subjuntivo pelo presente simples, assim como a de outros modos verbais que ninguém mais sabe conjugar. Mas o que mais me faz sofrer é a substituição dos pronomes pessoais oblÃquos por pronomes pessoais simples (eu, tu, ele..) Eu sei que esses incômodos são um sinal de velhice.
Ruy, o que você me diz do famigerado vocábulo "enterrar", que volta e meia vemos no noticioso da mÃdia que o "enterro" do fulano será à s tantas horas, em vez do "sepultamento", bem mais significativo e respeitoso, não é mesmo?
Jornalista não passa a palavra, "joga" para o colega. Pronome virou objeto direto. Clichês ABSURDOS...
Ah Ruy Castro, só vc mesmo pra fazer rir num sábado de manhã pós apocalÃptico. Mas falando sério, o que mais irrita são os clichês do corporativês: da-lhe performar, pensar fora da caixa, brainstorming, fazer mais com menos, feedback, deadline e, o pior de todos, gratidão.
Concordo! O corporate speak, é de lascar. Não me aguento quando alguém , numa reunião, fala em budget, em vez de orçamento.
Boa, Ruy. E tem também, agora com a COP30, o 'mapa do caminho', tradução de 'roadmap', já na boca do Lula, apesar do dissenso entre entendidos climáticos sobre usar 'mapa de ao invés de do caminho'. Do caminho denota que ao menos se tem uma noção de aonde poderia levar tal caminho. Já para mapa de caminho, qualquer um serve, não?
Ótimo!!! E o que dizer de "justamente" e "inclusive". Estão presentes na maioria das frases dos jornalistas...
Ruy, volta para música e para o cinema!
E o senhor deveria voltar para a escola e focar em LÃngua Portuguesa e Literatura. A julgar pela frase que escreveu, pode-se cravar que o senhor não acertaria nem uma única questão do ENEM.
Ele é escritor.
Voltar, por quê? Uma coluna soberba, super relevante, do que ocorre no dia a dia fático.
Caraca. Nunca bato o martelo. Bati,aos vinte anos, uma martelada em meu digitus tertius da mão esquerda e a unha nunca mais apareceu. Cravar:nunca cravei nada. Ou melhor, minha vidente Ana, cravou,várias vezes que quando o Pelé fosse para os braços do Morfeu em definitivo, o Santos iria super subir no cenário esportivo mundial. Pois bem,em vinte e dois, ela me menoscabou, bloqueou meu zap e nunca mais me atendeu!Caiu em23e agora balança. Por que será não me atende mais?Pontifico agora!
Vanderlei: nem me fale. Sempre torci contra times grandes, ultimamente, só contra os pequenos. Vamos enfrentar o Inter em Porto Alegre, no dia vinte e quatro de novembro . Aà Jesus!
Vixe Neli e olha que o Internacional de Porto Alegre faz uma força danada prá ajudar vocês né?
Caro Ruy excelente artigo ,mas o comentário do Sr.Fabiano é genial,"a ignorância adora ser veloz",talvez porque pensar hj seja um luxo que poucos se submetem.
Nada mais detestável que o verbo entregar em sua nova acepção . Ainda bem que o Ruy , como cronista diferenciado ( bleargh ) , está aà para apontar estes modismos chatÃssimos .
Sim, o Ruy entrega ótimos textos!
"Dei tratos à bola" (essa não é clichê?) à procura de exemplos que enriquecessem a ótima crônica de Ruy Castro mas só consegui lembrar de "centrar". Antes, era usado apenas no futebol ou em poucas situações semelhantes. Dizia-se: "Jairzinho centrou a bola com precisão na cabeça de Pelé mas Gordon Banks fez um milagre!". Hoje, diz-se que fulano é centrado quando se quer dizer que é concentrado, aplicado, dedicado, etc., ou seja, que fulano é "focado"...
O Ruy, em seus alentados artigos, sempre bate o martelo...
Bravo, Rui! E o que dizer do verbo compartilhar? Nos tempos atuais, já não se divide mais em partes o que se tem — apenas se envia, a quem quer que seja, seja lá o que for. E se for fake, então, compartilha-se com ainda mais ânimo e pressa afinal a ignorância adora a velocidade.
É linguagem de tecnologia da comunicação.
Ruy, meu caro, o vernáculo te agradece essas digressões. Venho em nome, pretensamente, de quem tem apreço pelo dito cujo para implorar um manifesto que detenha os Ãmpetos da turma que se multiplica no uso do adjetivo (aspas) assertivo como se essa fosse a expressão para definir algo preciso, exato ou correto e não apenas e tão somente afirmativo. Ajude-nos a bater esse martelo e cravar mais essa.
O colunista deixou de mencionar o verbo "fazer". Hoje, uma pessoa pode "fazer a egÃpcia", "fazer a Glória Pires", e assim por diante, com o significado de tomar uma atitude que lembra alguém ou algo que tem lugar garantido na memória. Antigamente se usava "fazer doce" com o sentido de relutar ou se recusar a tomar alguma atitude.
Excelente!
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