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  1. DIRCE MARIA DE JESUS BARBOSA

    Tenho 65 anos, nasci em uma família católica, tradicional, com os papéis de gênero milimetricamente estabelecidos. Fui educada para ouvir, obedecer, não aparecer e não tomar iniciativas. Com dez anos de idade já sabia que não queria repetir a minha mãe, mas depois de uma separação, a necessidade de criar um filho sozinha me fez descobrir uma mulher que eu não sabia que era possível. Quanto tempo será necessário para os homens desconstruirem valores e comportamentos que vêm da pré História?

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    1. Marcos Benassi

      Dirce, caríssima, leva uma vida. Às vezes a de nossos avós, país e a nossa. Se der azar, a de nossos filhos. É um desastre completo, repleto de trombadas. Eu só faria uma observação: ele é perfeitamente histórico, construído em cada dia de nossa história atual, como gente viva, e da história que se passou com o povo que nos precedeu. Não há nada de casual ou pré-histórico, é tudo responsa nossa mesmo, bem recente.

  2. joao claiton edy negrao negrao

    A violência contra a mulher está enraizada em nossa cultura , precisamos usar todos os meios possíveis para combater o feminicideo , as igrejas poderiam ajudar , e muito , Jesus nunca foi misógino , mas Paulo era , e os protestantes seguem Paulo e não Jesus ; as escolas poderiam adotar no currículo uma matéria para tratar exclusivamente sobre esse assunto os canais de TV também poderiam ajudar , as rádios deveriam boicotar as músicas horríveis que banalizam e até enaltecem o feminicideo .

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  3. Marcos Benassi

    Ah, Senhoras, eita, dona Neca, isso tudo é um causo seríssimo. Com a colega Anete, que calhou de se transformar em interlocutora aguda, privilegiada na sensibilidade e nos miolos, ontem mesmo discutíamos aqui nesta folha o horror e a violência, simbólica e concreta, da morte da Marielle, síntese perfeita disso que a Senhoras denunciam. Marielles morrem, e isso marca nosso imaginário presente e futuro. Não é possível aceitar que esse ferro quente queime nossa pele e creme o futuro da garotada.

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    1. Marcos Benassi

      O que, insisto, Antônio, diz nádegas: uma Suzane, que mata o pai por uma perversidade muito peculiar a si, não por conta de uma vocação socialmente estruturada ao machocídio, deve ser entendida como tal uma infeliz exceção. A regra é Tainá.

    2. antonio brito

      Acabei de ler nas "ultimas" Mulher lança o carro contra moto e mata ex . A violência está disseminada entre nós e a punição é branda, com direito ao assassino virar influencer. Como se chama o pai da Susana? Ela está famosa e solta.

  4. João Vergílio Gallerani Cuter

    Homens são responsáveis pela maior parte parte da violência física que existe no mundo. São também as maiores vítimas. Veja-se o número de homens mortos pela polícia, ou em guerras, por exemplo. É chocante o que aconteceu com essa moça. É chocante o que aconteceu no RJ há poucos dias. Os corpos estendidos no chão eram todos masculinos, confere? Ninguém é contra emancipação feminina. Somos contra linchamentos, como o de Woody Allen e de tantos outros. É esse o busílis.

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    1. Marcos Benassi

      Tá. Mas "a sociedade" é um treco amorfo e fora de controle. Nós, cada um dos homens (mulheres também, mas principalmente nós, homens), podemos olhar para o próprio Labo e entendermo-nos como sujeitos de uma encrenca social generalizada, e fazer alguma coisa. Isso, é perfeitamente factível, sob nosso controle e não deveria ser diminuído ou desmerecido.

    2. João Vergílio Gallerani Cuter

      Marcos... A história é muito mais nuançada. Vamos parar com essa história de achar que há algo de errado conosco, homens, pelo fato de sermos homens, como se a testosterona fosse uma espécie de mancha moral. Sabe por que meninos de 15 anos andam de arma na cintura? Porque as meninas de 15 anos adoram. A violência é cometida pelo homem, mas antes disso foi desejada por todos. Não olhe apenas para o toureiro. Olhe para a plateia. A sociedade tem que mudar, não o homem.

    3. Marcos Benassi

      João, meu caro, tenho profunda identidade com esta sua percepção: nós, homens, violentamo-nos uns aos outros, as mulheres e ao mundo: Gaia, a Terra, sempre Redonda, é também vítima de nossa macheza, encarnada em competição, acumulação, apropriação e expropriação históricas. É triste e amedrontador constatar que muitos "linchamentos" ideológicos ocorrem de modo injusto e apressado; mas acho ainda mais horrível nossa primeira constatação: uma a uma, privada e publicamente, assassinamo-las.

  5. antonio brito

    A epidemia é da violência, o feminicídio chama atenção porém é uma das expressões de violência. Somente em Roraima tem cem vezes mais jovens estupradas do que vítimas de feminicídio. Luta simbólica é coisa de intelectual fora da real. Temos filhas que matam os pais dormindo, mulher que esquarteja marido, madrasta que mata afilhada e todas estão livres e soltas como tema de seriado Tremembé. Comecem do topo, mulher não tem que ter sobrenome de marido, certo Janja Lula.

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    1. Marcos Benassi

      Antônio, prezado, não creio ser razoável usar a absoluta exceção como contraponto à morte epidêmica de mulheres, feita por homens. Não é que se deva aceitar, nem mesmo como reação à barbárie masculina, a mulher assassina; todavia, são muito poucas frente aos assassinos que matam quase meia dúzia, todo Santo e Maledetto dia, mulheres pelaqui. E mundo afora, porque somos só um pequeno subgrupo disso que se chama humanidade, e que mata em escala industrial.

  6. Rodrigo Monteiro

    Infelizmente há um imaginário de que a mulher só é bem sucedida ao "constituir família". Isso empurra milhões delas para casar com o primeiro cretino que não sabe lavar uma roupa, não faz nada de úlil e ainda é ciumento e não aceita a mulher como igual. Essa cultura faz muita gente casar para ter filhos achando que vai mudar o homem, ou que é o único destino. Temos que apoiar cada vez mais as mulheres poderem ficar sozinhas e terem gravidez solo

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  7. Raymundo Itareru

    a extrema direita é misógina e sexista, tem uma ex primeira dama que anda falando em cultos-discursos nas igrejas que as mulheres precisam rastejar nos pés dos maridos, seria mais ou menos apanhar e engolir o choro, ser independente nem pensar

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  8. Anete Araujo Guedes

    Muitas mulheres foram longe demais, estão ocupando um lugar na sociedade e na vida. Outras tantas, mesmo que tenham uma autonomia financeira, ainda conservam, a sete chaves, a herança que receberam de avós, mães e crenças religiosas. A batalha das mulheres é recebida com desdém, já que possuem como meta o cuidar dos homens e conservar a submissão. Mesmo que desfrutem de avanços e transformações, esse reconhecimento não existe. É algo que está encarnado, enraizado em ambos os gêneros.

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    1. Marcos Benassi

      Tô convosco, caríssima & queridíssima, com repeteco é tudo. A luta por igualdade começa em nosso íntimo, transfunde-se em nossos atos, ilumina o derredor com nossos conflitos. Lembro-me de minha mãe, uma pessoa profundamente igualitária em suas ações, ensinando-nos dia a dia a respeitar o Outro, a retorcer-se nas entranhas quando uma irmã minha (linda, de olhos verdes e engenheira) começou a namorar um músico meio preto: ouve ali um desgosto de classe e raça-etnia. Civilização é luta constante.