Ilustríssima > Por que é difícil para americanos compreender 'O Agente Secreto'? Voltar
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Aqui é sempre a ditadura e lá é sempre perrengues familiares. Se eles não entenderam o filme brasileiro, ja era o Oscar...
Excelente ensaio. Quer dizer que também tivemos nosso perÃodo de banalização da violência capitaneada pelo estado brasileiro. A interpretação das aparentes lacunas do roteiro como referência aos 'eventos' mal explicados da ditadura também me pareceu muito interessante e sagaz.
Perfeito!
Está de parabéns a Folha por publicar esse texto de João Mostazo , que, confesso, eu não conhecia. Mais do que uma critica de filmes temos aqui, em "Opinião", uma análise das melhores sobre a ditadura no Brasil e a superficialidade explosiva do cinema e cultura contemporâneos nos Eua. Algumas frases aqui valem a pena ser guardadas.
Assisti antes da nominação ao Oscar. Gostei muito mas fico preocupada se a comissão julgadora vai entender, por isso gostei da análise da folha! Agora é torcer.
Não é comissão julgadora que vai votar, são todos os votantes, mais de 30 brasileiros, de todos os paÃses que produzem cinema e já foram nomeados. Cada categoria vota em seus iguais. Todos juntos votam no melhor filme. No ano passado houve esse entendimento a um filme com o mesmo tema. Provável que neste ano venham ao menos duas estatuetas. Não será nada mal.
O comentário do articulista sobre roteiros repetidos à exaustão faz sentido no cinema americano. Por isto espectadores que buscam histórias que fogem deste modelo e são bem elaboradas recorrem a obras não hollywoodianas. Além das francesas, há as coreanas, iranianas, espanholas, argentinas, chilenas. E brasileiras, entre outras. A lÃngua e o formato apresentados podem oferecer alguma dificuldade inicial ao espectador , mas vale a pena um ajuste à s outras caracterÃsticas.
Pois é, Deus nos guarde e liberte da Netflix e outras.
Muito boa a análise. Gostaria de complementá-la destacando que O Agente Secreto é um filme sobre esquecimento e trauma. A genialidade do filme está justamente em mostrar como esses traumas nunca são completamente apagados ou esquecidos; eles retornam constantemente para nos assombrar, seja na forma de uma perna cabeluda, seja na tentativa do filho de encontrar a identidade da mãe.
Faz muito sentido a crÃtica. Esses gaps em O Agente Secreto realmente espelham os buracos nas histórias reais da ditadura no Brasil. Mas acho que até para impulsionar o alcance do filme, seria mais interessante mostrar a morte to protagonista. Você passa mais de duas horas acompanhando o protagonista, e na hora do climax a decisão é de não mostrar sua morte. Muito anti-climax. Muito coito interrompido. Acaba sendo um filme pouco acessÃvel, pra quem curte cinema. Mas mesmo assim adorei o filme.
Em geral quem entende e gosta de cinema sabe que não se comenta o fim do filme, mesmo quando ele já está em exibição há algum tempo. Nem filmes antigos, não sabia? Agora, décadas depois, fica informado. Haja paciência.
Todo mundo quer embarcar nesse bonde.
O texto, até onde li tem premissa interessante e precisa: o filme americano dá mesmo a falsa impressão de ser politico mas é sobre familia ,como bem explicado. Mas só li ate metade porque o autor nao faz sinopse: conta o filme inteiro. Só spoiler. Então, como não vi O Agente Secreto e pretendo ver, achei melhor não arriscar e interrompi a leitura quando começou a falar do filme brasileiro. Dava pra explicar a tese sem spoilers, dava não?
Dona Leonilda, me desculpe, voce não entendeu meu comentario. Eu disse justamente o contrario da sua observacao, que não li o texto a partir do momento em que vai falar de O Agente Secreto temendo spoilers. Eu assisti Uma batalha apos a outra, gostei da analise, é exata,mas nao achei justo contar o que acontece no filme. O claro que vou ver o agente secreto, que por acaso perdi de ver anteriormente. Veria mesmo que eu fosse de direita.
Outros aqui também chegaram a dar o fim do personagem principal. Não respeitam o ambiente nem como se comportar nele. Agora, por que vc não pretende ver é um assombro. Mesmo que seja de direita, cinema é arte, não se deve deixar de lado. Ao menos para quem tem interesse em arte, claro.
Traduziu em palavras o que sentia mas não sabia explicar. Vou mandar para os amigos rs obrigada.
Gostei demais da crÃtica
Gostei da análise, não vi ainda os filmes, vou ver. A observação sobre a fragmentação que sentÃamos nos anos 1970 é perfeita. Quantos aos spoilers, acredito necessários para a compreensão do texto.
CrÃtica maravilhosa. Profunda, embasada e enriquecedora. Obrigado.
Excelente! Análise riquÃssima do super premiado filme brasileiro lá fora que nos convida a assistir o filme mais uma vez sob esta perspectiva! Este filme veio para ficar!
O filme "O Agente Secreto" é difÃcil compreensão em qualquer idioma, inclusive no nosso. Primeiro porque trata de uma abordagem simbólica, que, somente um público especializado pode entender a partir de metáforas, referências secundárias sobre determinado perÃodo histórico. Depois de assistir lives ou entrevistas de crÃticos de cinema no Youtube, logo surgem os "especialistas". Segundo, a dificuldade em compreender o vocabulário regional, associada ...
Não li em lugar nenhum sobre dificuldade em compreender o vocabulário regional, não faz sentido. Se gostamos de Parasita, por que não entenderÃamos um filme feito no Recife? É cada uma.
Continuo: ... a sonoridade, cuja dificuldade é histórica. Mas o momento polÃtico domina. Não vai aqui nenhuma desvalorização do filme. Aceite como quiser, com engajamento ideológico de qualquer espectro, desde que seja sem patriotismo mÃope. De patriotismo pode-se transbordamento da incapacidade reflexiva.
Excelente análise. Agora começa a contagem regressiva para a tradicional análise blasé da Folha dizendo que O Agente Secreto não é tão bom assim...
A parte que diz respeito ao filme brasileiro é muito boa; discordo da crÃtica do filme americano, não pelo que diz, mas pelo que nao diz. O filme evoca as cenas que se veem diariamente nas redes sobre a brutalidade que é praticada contra pessoas não brancas caucasianas nos EU (inclui cidadãos americanos, crianças, horror). A personagem de Sean Penn é exemplar; e os que o recrutam, idem. Até um dos atores deste grupo é famoso por ter repensado o presidente dos EU em uma série do streaming.
Que baita análise! Mas, por favor, meus revisores, "mundo à fora"?
É raro, nos dias que correm, ver uma crÃtica tão bem feita ao cinema -- concorde-se ou não. Parece algo como o que se lia em jornais no inÃcio dos anos 60. E o filme de fato nos remete à vida como era vivida no fim dos anos 70. Parabéns.
Excelente! Parabéns pelo texto.
CrÃtica sensÃvel e intocável! Parabéns! Por mais artigos como esse
A fsp precisa urgentemente aprender a usar alerta de spoilers
Também achei péssimo nao ter. Spoilers clarÃssimos. Nem precisa de VAR. Desrespeito com o leitor. Que a Folha ultimamente tem tratado mais como eleitor
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